Imagine que há um grupo de 1000 pessoas. Elas fazem parte de uma agremiação e querem montar algo similar a um corpo diretor, uma assembleia, para tomar as decisões e gerir esse grupo. Ocorrerá uma eleição para escolher os 50 que irão compor essa assembleia, essa equipe de gestão.
A pauta mais quente, no momento, é: quais serão as cores da agremiação?
Havia sugestões de todos os tipos, mas um grupo de cerca de 20 pessoas, com considerável grau de influência (sobre boa parte das 1000), discutia entre si se seria preto-branco-amarelo ou preto-branco-mostarda. Em praticamente todos os outros temas que caberiam à assembleia decidir, eles tinham alinhamento e afinidade considerável.
Havia outra turma, que não andava muito junta entre si, mas também era influente, que não queria saber do resto das decisões da assembleia, desde que tivesse preto e branco nas cores escolhidas. Eram ali umas 10 pessoas.
Vem comigo no raciocínio mais básico: se esse “grupo dos 20” se unisse e agregasse ao seu grupo a turma do “tem que ter preto e branco”, eles já teriam maioria de votos para decidir qualquer coisa que precisasse ser decidido nas assembleias da agremiação. Certo?
Racionalmente, sim.
Porém…!!!
Acontece que o ego inflado e a teimosia de boa parte desses subgrupos fez com que parte do grupo dos 20 partisse para o ataque contra outra parte do próprio grupo dos 20. Sim, por causa de um detalhe (entre amarelo e mostarda), eles romperam entre si.
Resultado? A maior parte dos escolhidos/eleitos para compor a assembleia compunha um grupo que tinha visões contrárias às desse “grupo dos 20”. Além de escolherem como cores rosa/marrom/verde-claro, ainda tomaram inúmeras outras decisões que não correspondiam ao que era melhor para a maioria dos integrantes da agremiação, atendendo apenas ao interesse que beneficiava uns poucos, bem poucos. Bem POUCOS MESMO!
Recapitulando: essas pessoas precisam se organizar para que esse grupo funcione, para que a estrutura funcione, para que as coisas fluam da forma mais justa possível para TODOS os envolvidos. E, para que isso aconteça, dentro desse grupo, algumas pessoas são escolhidas para compor uma assembleia.
Provavelmente você já entendeu onde eu quero chegar.
Esse “grupo dos 20” é exatamente como a SUPOSTA esquerda funciona no Brasil. Vivem brigando entre si na arena pública (logo, na arena política), ao invés de se unirem nas afinidades e internamente confabularem sobre uma ou outra divergência.
Resultado: por falta de visão do todo, por falta de inteligência estratégica, existem 200 “esquerdas” se engalfinhando, enquanto a Direita se alia com a extrema-direita, f*dem o povo e ainda conseguem apoio popular. Afinal de contas, mentem a mesma mentira até ela se tornar verdade no discurso, mesmo que a prática seja outra.
Cada vez que a cultura do cancelamento mirou em um aliado progressista (por mais que ele não andasse com um broche de foice e martelo) a esquerda perdeu o aliado e provocou pânico em demais aliados, que passam a ficar calados, pois amanhã podem entrar na mira dessa vigilância canceladora de aliados.
E eu nem vou aprofundar aqui no debate sobre quão relevante é o discurso ultra truncado e academizado praticado por boa parte da “militância de Instagram”.
Paulo Freire se contorce no túmulo cada vez que vê um SUPOSTO influencer saindo por aí falando termos e nomes que não comunicam COM A BASE, que (PASMEM!!!) é quem deveria entender o discurso dessa SUPOOOSTA web-militância.
[Existe uma falha gravíssima, crucial, na formação e no discurso da web-militância (a maior parte): a mira sempre aponta pro CPF de alguém, não para o COMPORTAMENTO. Estão buscando cabeças, como os franceses e russos fizeram em suas revoluções anti-nobreza (aristocracia). Eu vou render mais essa conversa em outro texto. Seja paciente.]
Enfim… É isso. Desabafo feito.
…
Xô voltar aqui pra minha leitura da bell hooks, porque ela me tem como aliado, algo que não posso dizer sobre as “feministas de Instagram”.
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