Faz algum tempo que me pergunto se desaprendi a escrever. Existem algumas coisas, dizem, que não se desaprende, como andar de bicicleta. Dizem. Eu, sinceramente, não sei o quanto disso é real.

Felizmente, ou não, decidi me enveredar em um novo curso superior, um que fizesse sentido pra mim, pra quem sou, pra quem me tornei. Não foi uma escolha fácil, porque qualquer pessoa que já se prestou à desventura de cursar uma faculdade sabe o quanto isso drena de nosso tempo, energia e recursos. Principalmente quando já se é um adulto responsável pelas contas e manutenção de casa.

Acontece que, apesar de tudo, fui lá e me meti a fazer o bendito do ENEM com praticamente nenhum preparo e, BUM, passei (leia-se: obtive a nota necessária pro curso que eu queria). Como? Ainda não sei. Chorei um bom bocado. 24 anos depois da minha primeira (e única) tentativa de cursar uma faculdade pública, lá ia eu, viver esta experiência. E eu fui.

Eu não estava preparado, porém, para lidar com um detalhe: no curso que eu escolhi, pra cada aula, é preciso ler muito, tipo muito, mas muito mesmo (não estou comparando com o seu curso ou o do sei lá quem, ok?). Acontece que eu lia umas, sei lá, 200 páginas/mês. Agora estou lendo 300/semana, nas semanas mais tranquilas. É uma experiência muito maluca. Sério!! Às vezes eu acho que vou ficar completamente biruleibe das ideias. (Mais ainda!)

Uma demanda colateral que eu temia, mesmo lendo tanto, era como redigir os trabalhos acadêmicos, já que no meu outro curso superior, que concluí, escrevi pouco. Era um trabalho grande, para cada semestre, mas era um só, que compilava o conteúdo programático daquele semestre, aplicados a um “case”, um estudo de caso. E agora? Será que vou dar conta disso? Será que saberei escrever algo que não seja… isso aqui?

Daí pensei: estou em 2025 e tenho as LLMs para me ajudar a estruturar e revisar, certo? Então, meio certo. Se deixar, elas até fazem quase tudo lá por mim. Fica bom? Pra leigo, sim. Mas fica booom, bom, bom de verdade? Ah, não fica não. Resultado? O jeito é escrever. E eu escrevi, viu? Aliás, estou escrevendo. Trabalhos e mais trabalhos, uns curtos, outros nem tanto. Enfim…

Existe uma distância, que eu não havia calculado ainda, entre escrever um texto pra um blog, ou um mini texto para rede social, é escrever um texto em contexto acadêmico. NUH! É muito, muito diferente. O idioma é o mesmo? Sim e não. A estrutura é a mesma? Definitivamente não. O conteúdo, então, nem passa perto.

Então lá fui eu, reaprender a escrever algo sem todos os cacoetes, adquiridos por ANOS, escrevendo para qualquer canto, MENOS para a academia. Menos pessoalidade, menos termos “informais”, menos maneirismos narrativos, menos referências “pop” jogadas no meio do texto, tá ligado?

“Descobri” algumas coisas no começo desta jornada, coisas que eu já suspeitava que ocorreram e das quais pretendo esmiuçar mais longamente em próximos textos. Vou listar três: (1) definitivamente pensar é mais fácil que escrever; (2) escrever melhora a forma de pensar; (3) ler melhora a forma de escrever e de pensar.

Uma dificuldade que eu tinha e que, razoavelmente, piorou, por enquanto, é finalizar temas dos quais começo a falar ou escrever. É cá estou eu passando por isso novamente. Às vezes eu realmente tenho dó de quem senta para conversar comigo. Em boa companhia, acho que sou capaz de conversar, sem pausa, por dias. Eu realmente tenho dó destas pessoas. A sorte é que elas não enchem nem uma mão.

Passo 1, reler o que escrevi. Passo 2, descobrir como amarrar tudo isso. Passo 3, deixar os subtemas pra outros textos.

Retomando: acontece que eu não desaprendi a escrever. (Ufa!) Na verdade estou “apenas” desenvolvendo a capacidade de escrever de outra forma e com outras finalidades. Aparentemente, tenho salvação. A-pa-ren-te-men-te!

Pra fechar, esta vooooolta toda foi pra contar que eu descobri que, mesmo sendo um recente 40+, ainda consigo aprender coisas novas, desenvolver habilidades novas, desempenhar novas formas de fazer as coisas.

Próximo passo? Desenvolver paciência. Boraaaaa!!!

Ok… Menos… Beeeeem menos!

Milagres ainda não! Ainda!!! Vamos com o que é possível, por enquanto.

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