Este texto, diferente de muitos dos anteriores, não foi estruturado de forma tão narrativa, seguindo a lógica habitual dos meus textos. Então, seja paciente. Segura na mão do titio que a gente vai chegar em algum lugar juntos.
Eu estou vivendo um momento da minha vida muito louco, caótico e quase absurdo — especialmente para quem olha de fora. E aí, pensando na minha vida e nas coisas que eu tenho ouvido de quem a analisa de longe, te convido a olhar para a sua própria vida e tentar fazer o exercício de observar a vida daqueles que estão mais próximos de você.
Muitas vezes — senão todas — quem está a dois passos de distância não faz ideia de como está a sua relação entre o seu estado emocional e psicológico e a organização da sua vida: a logística da rotina com trabalho, estudo, família, afazeres, projetos e tudo mais com o que a gente ocupa o nosso tempo.
Aonde eu quero chegar — tentando ser o menos prolixo possível, embora costumeiramente o seja — é que nem sempre estar completamente ocupado durante todas as horas do seu dia significa, necessariamente, exaustão física e psicológica. E isso parece, à primeira vista, inesperado, incoerente, até implausível.
Por que eu estou falando isso? Porque, em outros momentos da minha vida — e volto a usá-la como referência apenas de forma episódica, mas que faça algum sentido —, eu trabalhei menos. Não estava engajado, como agora estou, com uma graduação e uma pós-graduação. Ou seja, eu tinha muito mais tempo livre. Eu não tinha filho. Eu só trabalhava. Às vezes, inclusive, trabalhava menos do que trabalho hoje. E, ainda assim, eu estava completamente exausto. Exaurido.
Eu cultivei, durante anos, o ódio à segunda-feira. Na verdade, eu odiava qualquer dia útil. E é curioso perceber que esse ódio, na minha vida de hoje, simplesmente não existe mais. E não é porque, do nada, eu me descobri um herdeiro milionário. Muito pelo contrário.
O que aconteceu é que eu encontrei uma forma — e, por vários motivos, estou ciente deles, inclusive do privilégio de poder vivê-los —, mas, curiosamente, estar ocupado o dia inteiro, todos os dias, de segunda a segunda, já não me deixa no mesmo estado de exaustão em que eu já estive antes, quando tinha muito menos tarefas e responsabilidades no dia a dia.
O que eu quero refletir aqui — e, na verdade, já venho refletindo há algum tempo, e talvez você também esteja nessa situação — é o seguinte: quem está de fora não sabe como você está. Isso é óbvio. E, justamente por ser óbvio, talvez precise ser dito. De novo.
Eu estou trabalhando, cursando uma graduação, uma pós-graduação, e tenho um filho. E a todos esses eu preciso dedicar o tempo necessário, proporcional à importância que cada um tem na minha vida.
Mas não estou aqui querendo aplaudir ou reforçar aquele discurso raso do “se ocupe, seja útil, seja produtivo, seja efetivo” e todo aquele blá blá blá de coach de Instagram. Não é sobre isso.
É sobre o fato de que, às vezes, se ocupar com algo interessante pode ser melhor do que optar pelo ócio. E não porque o ócio não seja importante — ele é. O ócio é essencial. Ter momentos de pausa é essencial.
Mas há fases na vida em que se ocupar com algo que te faça bem — mesmo que, à primeira vista, pareça não fazer — é tão importante quanto descansar. E que digam por aí que isso é loucura, insanidade, exagero, blá blá blá, pi pi pi, pó pó pó… pense no que te faz bem.
Pense naquilo que, ao deitar a cabeça no travesseiro, te faz sentir mais vivo. Pense em como você está aproveitando a sua vida, a sua existência. Em como está sendo mais útil para si mesmo, para aqueles que você ama e para a vida em sociedade.
Preocupe-se com o seu estado psicológico, com o seu estado emocional. Preocupe-se em caminhar — e, de preferência, trazendo a reboque aqueles que podem ser beneficiados pela sua experiência nesse negócio que a gente chama de vida.
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