“Devagar com o andor que o santo é de barro”

No último feriado, eu fui fazer uma caminhada. No dia anterior, já tinha feito uma espécie de super faxina em casa — dessas que costumo fazer quando a cidade para por causa de alguma data festiva. Como, tradicionalmente, não celebro essas datas, aproveito para organizar tudo em casa.

Nesse tal dia anterior ao feriado, carreguei armário, carreguei sofá — sim, carreguei sofá! —, além de outros móveis. Fiz todo aquele processo de limpeza: esfregar, limpar, higienizar e tudo mais que envolve uma faxina completa.

Então, no feriado, resolvi caminhar. Tenho um problema com caminhadas na rua: perco a noção do tempo. Como é uma atividade física moderada, ela não me leva à exaustão imediata. Fui caminhando, ouvindo música, podcast… E, como estava só caminhando, ainda consegui conversar com um ou outro que me procurou nesse horário.

No fim das contas, caminhei por quase 3 fucking horas. Além disso, parei algumas vezes para fazer exercícios de musculação nas praças que existem ao longo das pistas de caminhada em Belo Horizonte. Por aqui, é comum encontrar essas mini praças com aparelhos de alvenaria, feitos para musculação ou exercícios quase fisioterápicos, com alta durabilidade (afinal de contas é metal e alvenaria).

Então eu caminhava, parava para fazer musculação, caminhava mais um pouco e parava novamente para os exercícios. Nessa brincadeira, foram 3 horas de atividade, sem que eu sentisse a exaustão muscular acontecendo.

Corta!

No dia seguinte, acordei. E absolutamente TODOS os músculos do meu corpo doíam.

Não era uma dor impeditiva, não era algo que me impedisse de trabalhar — tanto que eu fui trabalhar —, mas o corpo estava absurdamente dolorido.

Me hidratei umas 10 vezes mais que o normal. Não tomei nenhum remédio, o que prova que a dor não chegou a um patamar insuportável. Mas, caramba… Como o efeito hormonal proporcionado pela atividade física moderada — e era moderada, é bom salientar — me pegou de jeito durante a caminhada famigerada.

Era só uma caminhada, com alguns exercícios. Eu não carreguei peso durante a caminhada. Não fiz nenhum levantamento absurdo, nem agachamentos pesados com milhões de quilos nas costas.

Foram abdominais, exercícios de barra, pranchas… Tranquilo, suave.

Mas, no dia seguinte, o corpo veio me dar um recado. E me passou o boleto. A exaustão veio.

E eu fiquei pensando sobre isso. Refletindo. E acabei fazendo um paralelo que, para mim, faz bastante sentido sobre algumas relações que temos na vida.

[Serei breve, juro! Confie no tio!]

É curioso como, às vezes, algumas pessoas entram na nossa vida e nós começamos a dedicar tempo, energia e recursos a essas relações. Fazemos isso de forma gradual, sem pressa, um pouco a cada dia ou a cada oportunidade.

E, sem perceber, vamos aumentando os investimentos feitos nessa construção. Até que, depois de um tempo, nos damos conta de que estamos dedicando praticamente toda a nossa energia, todos os nossos recursos e boa parte do nosso tempo a essa relação.

O problema é que, muitas vezes, fazemos isso sem considerar o longo prazo. Não pensamos no amanhã — e, às vezes, o amanhã é literal. Não pensamos no depois de amanhã, na semana seguinte, no mês seguinte. Simplesmente não refletimos sobre o impacto que isso pode ter em outras áreas da nossa vida.

Vou dar um exemplo bobo. Quando você se empolga com uma paixonite e começa a investir muito tempo, muita energia e muitos recursos nessa relação, pode ser que os estudos fiquem de lado. O seu hábito de leitura, por exemplo, pode acabar abandonado. Ou aquela aula de violão que você estava curtindo e levando a sério acaba sendo deixada para depois.

Tudo porque você começa a direcionar, de forma centralizada e quase hiperfocada, todas as suas ferramentas e esforços para aquela relação — sem pensar no reflexo disso no restante da sua vida.

Então, assim, meio que para finalizar esse misto de relato pessoal com esse paralelo criativo e aleatório, acho que cabe aqui apenas repensar sobre o cuidado que precisamos ter com essas situações — com esses investimentos empolgados.

É claro que, de vez em quando, com efeitos colaterais de baixo custo, é bacana. Vale a pena viver essas experiências. Precisamos disso. Faz parte da vida. Esses pequenos arroubos de exagero.

Mas é importante ter cuidado para não transformar isso em algo rotineiro, em algo perene, em algo crônico. Vamos com calma. Ou, como diz o ditado: “Devagar com o andor que o santo é de barro” .

É isso. Está tudo doendo, gente!

E, no caso de hoje, eu estou falando dos músculos mesmo.

Bebam água. Se cuidem!

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