Eu tenho o hábito de ler mais de um livro ao mesmo tempo. Eu não sei se você tem o costume de ler, mas, apesar dessa prática parecer estranha para algumas pessoas, ela faz total sentido para quem já teve o hábito de ler vários livros durante o ano, em algum momento da vida. É claro que ninguém fica segurando quatro livros ao mesmo tempo nas mãos. A questão é que eu começo a ler um livro, depois começo outro, depois mais um, e, às vezes, estou lendo três, quatro livros ao mesmo tempo. Às vezes, eu termino de ler todos. Às vezes, termino dois deles. E, em outras ocasiões, só termino um deles.

Há diversas observações e críticas sobre essa forma de lidar com a leitura.

Uma delas é a ideia de que isso é uma característica de quem não tem determinação para concluir um livro, por mais difícil que ele seja. Há também quem diga que essa prática é simplesmente uma característica de pessoas que não conseguem manter o foco em uma única coisa e precisam alternar entre pontos de atenção — e, ainda assim, conseguem concluir o que começam.

E existe mais um ponto de vista, entre tantos outros possíveis, que diz o seguinte: você simplesmente não é obrigado a terminar nenhum livro, se aquele livro está te fazendo mal, te desagradando, te deixando desconfortável ou, simplesmente, se é mal escrito. Se o livro não te pegou, você não precisa ficar preso a ele.

Salvo as exceções de quem tem obrigações acadêmicas ou profissionais, livros, em geral, são lidos por interesse, curiosidade ou vontade própria — algo particular, individual e pessoal. Sendo assim, se o livro não é interessante o bastante para prender a sua atenção, se não é escrito de uma forma que agrade à sua leitura, se a história não te envolve, você não tem obrigação nenhuma de continuar lendo ou de seguir padecendo, página após página, para terminá-lo.

Exceto em casos de obrigações profissionais ou acadêmicas, nenhuma leitura deve ser um fardo. Nenhuma leitura deve tirar a sua paz ou te causar um incômodo tão grande a ponto de te deixar 10, 15, 30 dias sem ler, simplesmente porque você acha que só pode começar outro livro depois de terminar aquele. E aí, no fim, você acaba não lendo nada. Acaba perdendo a oportunidade de viver essa experiência agradável que a leitura pode proporcionar.

Um bom livro, uma boa história, uma boa narrativa, uma boa entrega de informação e conteúdo — se a leitura não está te trazendo isso, o problema provavelmente não está em você. Muito provavelmente, o problema está no livro. Ou, talvez, o problema não esteja nem em você nem no livro. Vocês apenas não têm afinidade.

E está tudo bem.

Há muitos outros livros por aí — bons livros, ótimos livros, livros maravilhosos, surpreendentes, deliciosos.

Sabe o que você não pode deixar de fazer? Ler.

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