Existe uma máxima sobre a vida que diz que a única certeza que temos é a morte. Outra, que afirma que, para morrer, basta estar vivo. Curiosamente, existem poucas frases assim sobre como devemos viver, sobre como passar nossos dias, como encarar a vida. Acho que há um motivo para isso.

Viver apresenta tantas variáveis, tantas questões: onde nascemos, onde crescemos, com quem vivemos; nosso corpo, nossa pele, nosso sexo, nosso nome, nossa família, nosso conceito de família; como aprendemos a andar, a falar, a amar. São tantas variáveis que dizer como devemos viver a vida se torna impossível.

Eu insisto em ter algumas convicções que mudam o curso da vida. Neste momento, há bem poucas afirmações categóricas que consigo fazer sobre como se deve viver. Existem muito mais perguntas. E há questões para as quais simplesmente aceitei que não existem respostas. E eu aceito isso. Aceito que há variáveis tão fora do meu controle – ou do nosso controle – que tentar fazer afirmações definitivas sobre elas é perda de tempo.

Se há coisas sobre as quais não temos controle, então que gastemos nossa energia com aquilo que podemos, ao menos, influenciar. E se ainda acreditamos que é possível ter controle sobre algo, que isso nos leve a focar no que realmente importa.

Da infância, passando pela juventude, adolescência, até a fase adulta – seja lá quanto tempo tenha sido necessário para chegar até ela (!) –, há questões que se cristalizam e outras que precisam ser mutáveis. Estou num momento da minha vida em que reflito muito sobre o que vale a pena me esforçar, ao que vale a pena me doar, por quem vale a pena me doer.

Essas perguntas, constantemente, encontram novas respostas. É claro que amar meu filho é natural; me doar por ele, esperado; me doer por ele, inevitável. E, hoje, experimentei novamente o prazer de me deslumbrar com meu filho. Isso me fez pensar em todas as outras relações que tenho na vida e no quanto elas são vulneráveis e, justamente por isso, preciosas.

Relações são como pérolas finas. Elas precisam ser tratadas com cuidado e admiradas pela beleza única que possuem. Cada uma tem seu brilho próprio, sua resistência própria, sua curva, sua construção. E, sejam mais resistentes ou mais frágeis, todas carregam uma beleza singular.

Hoje, percebi que cada relação que possuo – sejam familiares, amizades ou afetos – compõe o modo como escolho viver. Elas definem o caminho que quero percorrer. Um caminho que escolho a cada manhã, a cada tarde, a cada noite, e até ao dormir.

E talvez, para muitos, isso pareça óbvio. Talvez para outros, banal. Mas entender que temos muito pouco controle e que há muito mais a se aproveitar ao aceitar a vulnerabilidade de tudo ao nosso redor torna a vida mais leve. Quando percebemos que o que nos cabe é ser corretos, coerentes e desfrutar – sem tirar nada de ninguém – do que a vida nos oferece, das pessoas que ela nos traz e das pessoas para quem somos provimento, talvez viver seja apenas isso:

Viver intensamente o brilho de cada instante. Olhar para frente, respeitar o passado e viver o presente.

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