Uma das preocupações de um náufrago é o medo de ser esquecido. A sensação de possível abandono, de cair no esquecimento, ou, pior, de simplesmente ninguém nunca mais procurar por ele. A certeza de que ele não se salvou, a certeza de que ninguém no barco sobreviveu. Um medo de ter sobrevivido a uma catástrofe em vão. Porque, no fim das contas, a sua vida vai escapar de suas mãos porque ninguém conjuntou a possibilidade de ele ainda estar vivo.

Eu estou sofrendo do primeiro dia de abstinência de redes sociais. Eu já estava acostumado com as microinterações resultantes de postagens em redes sociais, principalmente no caso do Instagram. E passar este primeiro dia sem acessar o Instagram, sem postar any stories, sem nenhum post novo, sem ver o que as pessoas estão postando, falando, principalmente as pessoas que me importam… não saber o que elas estão verbalizando ou compartilhando… é estranho. É uma sensação estranha de solidão que era disfarçada pelas microinterações nas redes sociais. E eu estou tendo que lidar com isso. E eu preciso encontrar uma forma de lidar com isso.

Será um processo curioso. Eu sabia que não seria a coisa mais simples do mundo. Bom, eu já fiquei 90 dias sem beber, achando que eu teria crise de abstinência grave e não tive. Então acho — repito, acho — que consigo passar por essa sem entrar em desespero e colapsar. Mas ainda há uma breve conclusão sobre isso.

A questão é que, de alguma forma, e muito graças ao WhatsApp — obrigado, Marquito —, eu tive algum contato com algumas pessoas. Consegui manter algumas conversas, algumas trocas, e isso amenizou um pouco a sensação de abandono, de isolamento que eu estou encarando. Foi interessante, divertido, útil e emocionalmente agradável receber as mensagens e até prints de memes e posts das pessoas que, sabendo da escolha que eu fiz, se prestaram a se importar comigo.

Além disso, tem o fato da minha saúde, que, depois dessa pancada no final de semana, com direito a sintomas de gripe e dengue simultâneos, sobrevivi. Então, sobrevivi a isso. Estou sobrevivendo a esta pequena crise de abstinência, mas seguimos firmes, um dia de cada vez. E, como diz o hino da vitória, “amanhã há de ser outro dia”.

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Apenas Beto

Assine a newsletter, gratuitamente, agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo