Às vezes eu converso comigo… foi assim que aconteceu, nesse dia.

Keto: Quero falar sobre a dificuldade de lidar com a oferta de ajuda no formato online. Pessoas compartilham nas redes sociais suas dificuldades, tristezas, momentos de vulnerabilidade. Essas demonstrações despertam em outras pessoas o anseio de interagir e ajudar. Essa ajuda, por vezes, vai para dois extremos: ou é uma disponibilidade remota e superficial, ou atropela o espaço de segurança e conforto daquela pessoa, oferecendo uma ajuda invasiva e não solicitada.

Beto: Você acha que falta sensibilidade para entender o que a pessoa realmente precisa no momento?

Keto: Percebo que algumas pessoas precisam verbalizar a intenção de ajudar, mas, na prática, não estão dispostas a agir. Querem ser lembradas como altruístas, mas sem sair do lugar. Por outro lado, há aquelas que, no intento de ajudar e resgatar a outra pessoa da dor, acabam invadindo o espaço dela. Esse contraste, quase bipolar, entre extremos, vejo com frequência nas relações que observo online.

Beto: As redes sociais amplificam esses comportamentos ou só os refletem?

Keto: Acho que as pessoas já são assim, dentro e fora das redes sociais. Mas as redes amplificam isso pela facilidade que oferecem. Fica mais fácil ser vocal sem ser prático. Ao mesmo tempo, dá acesso direto ao outro, facilitando essas intervenções invasivas. O desafio é encontrar um equilíbrio. Algo quase budista, na busca por um meio termo.

Beto: Seria algo que demanda mais educação emocional ou uma reflexão sobre o uso das redes sociais?

Keto: Acredito que falte ferramentas para o equilíbrio emocional tanto do vulnerável quanto de quem tenta ajudar. As redes amplificam certos comportamentos, mas, por sua limitação, não permitem compreender plenamente o que o outro precisa, nem dão oportunidade real de ação para quem quer ajudar. A ajuda via redes sociais é limitada. Hoje, como “fazemos tudo online”, muitas pessoas acreditam que toda forma de ajuda pode ser remota. Eu discordo. Em casos de vulnerabilidade emocional, acho recomendável o contato presencial, o colo, uma escuta ativa de qualidade. Mas encontrar o ponto em que esse contato presencial não seja invasivo é um desafio delicado. Ainda não vejo solução fácil.

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