Não é só uma “opinião” quando ela oprime e mata alguém vulnerável

Temos um hábito peculiar em nossa cultura: afirmar que algo é errado, ruim ou desprezível simplesmente por ser diferente do que queremos. Basta algo ser diferente para classificarmos dessa forma. Mas, se pararmos para pensar, sabemos que isso, na maioria das vezes, não faz sentido.

Muitas vezes, o que difere é apenas questão de opinião. Eu quero andar, o outro quer correr. Eu prefiro preto, o outro prefere azul. Eu quero cinema, o outro prefere teatro. Nada disso envolve certo ou errado. Contudo, há coisas que realmente são erradas. Dentro de uma perspectiva de uma sociedade mais justa, é inegável que certos pensamentos e comportamentos sejam errados, ruins ou desprezíveis.

Não é uma escala, mas categorias distintas. Há o que é errado, como ofensas. Há o que é ruim, algo imprudente, inadequado, fruto de despreparo. E há o que é desprezível. No Brasil do século XXI, racismo, homofobia, machismo e misoginia são desprezíveis. Ainda assim, algumas coisas que deveriam ser consenso continuam não sendo, mesmo com todas as evidências mostrando que certas práticas ou comportamentos são errados e desprezíveis. Não se trata da pessoa, mas de sua atitude.

O diferente não é necessariamente ruim ou desprezível. Contudo, algumas coisas são. Entre elas, a violência contra quem já é oprimido. Em nossa sociedade, existem forças armadas que perpetuam essa opressão e garantem que os opressores sigam confortáveis: a Polícia Militar e o Exército Brasileiro. Desde sua fundação, elas existem para manter essa estrutura de desigualdade. Apoiar essas forças não é apenas uma opinião, pois esse apoio garante a morte e a opressão de muitos.

Há diferença entre respeitar o direito de alguém pensar diferente e respeitar esse pensamento. Apoiar a manutenção dessas forças priva milhões de viverem com dignidade, perpetuando medo e opressão. Quem aplaude essas instituições apoia torturadores, executores, assassinos.

Eu não consigo conviver razoavelmente com pessoas assim, exceto quando a convivência é inevitável. E, nestes casos, sinto dor, uma verdadeira agonia.

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