Aceitar o fim é parte do processo.

Eu gosto de caminhar. Gosto de chegar do trabalho, tomar uma ducha, vestir algo confortável e ir para a avenida. Caminhar é um momento em que organizo os últimos dias, penso onde estou e planejo os próximos passos. É como se o ato físico de caminhar se conectasse à minha caminhada pela vida, conectando e harmonizando corpo, mente e compreensão do meu cenário.

Da mesma forma, essa caminhada reflete o que acontece quando alguém entra na minha e na sua vida. Seja por acaso ou por escolha, a permanência depende de afinidades: o que trazem do passado, o momento que vivem e, às vezes, o que almejam para o futuro. Com essa pessoa, você constrói momentos de qualidade — risos, lágrimas, diálogos que enriquecem. O simples ato de compartilhar tempo e experiências torna a vida mais significativa.

Mas, assim como na caminhada física, talvez essa pessoa conclua sua jornada ao seu lado. Mesmo em relações não monogâmicas, onde não há centralidade ou controle, o apego é inevitável. A presença dela, os momentos vividos e o bem que fazem um ao outro criam um vínculo único. Mas, por algum motivo, a jornada termina. Um segue para um lado, o outro para outro. E tudo bem.

Aceitar o fim é parte do processo.

O luto, mesmo em relações que fogem à exclusividade, é necessário. Negar isso seria cruel. Porque o apego é real, o desejo de compartilhar mais momentos é natural. Mas, quando a pessoa já não está, é preciso reconhecer que sua vida segue, mesmo que não seja a mesma coisa. Outras relações te fazem bem, mas não são ela. Porque o espaço que ela ocupava era só dela. A relação foi única, construída de forma artesanal.

Encerrar ciclos é tão valioso quanto iniciá-los. Permita-se viver o luto. Porque aceitar o fim também é um ato de amor — pela outra pessoa, por você e pelo que construíram juntos.

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