É… É isso…
Eu estou numa fase onde ouvir algumas frases me deixa num misto de desespero, desesperança e cansaço. Frases como: “Fica bem”, “Vai dar tudo certo”, “Vai passar”, “Podia ser pior”.
Sempre que ouço algo assim, minha vontade é responder: “Não, não vai.” Porque, na maioria das vezes, não vai mesmo. Não que a vida não tenha coisas boas, mas existem problemas que simplesmente não têm solução. Você, por exemplo, pode desenvolver uma condição crônica, como diabetes, que nunca vai embora. E, a partir daí, sua rotina muda completamente: dieta, remédios, atividade física. Tudo o que você nunca precisou fazer, nunca quis fazer ou talvez nunca teve o juízo de fazer. Agora, essa é sua nova realidade, e nada disso vai mudar.
E o que as pessoas ao redor fazem? Lançam frases prontas, vazias, quase automáticas. Palavras que, ao invés de conforto, trazem a toxicidade de uma autoajuda superficial. É como se essas frases existissem apenas para preencher o silêncio, sem nenhuma reflexão. Não são ditas para ajudar, são ditas para cumprir um papel social.
Isso me faz pensar no quanto vivemos no piloto automático, no quanto falta escuta ativa. Falta o simples ato de ouvir o outro com atenção e empatia. Essa reflexão não é só sobre os outros; é sobre mim também. Sempre que percebo esse comportamento, me pergunto: Será que eu faço isso? Será que eu sou assim? Será que repito esses padrões?
E, às vezes, no esforço de não ser, é que essas reflexões aparecem.
Estou em uma fase em que não quero “ficar bem”. Porque não tem como. Todo mundo tem dias assim. No meu caso, são frequentes. E nesses dias, eu não tento fugir. Eu aceito as desgraças que acontecem na minha vida, deixo que elas existam e passo um tempo digerindo, acolhendo e refletindo. Penso em como será minha vida daqui em diante, porque o que aconteceu não tem como ser desfeito, corrigido ou curado. Não há como pegar uma máquina do tempo e reverter o passado.
O que me resta é lidar com as consequências da maneira mais razoável possível. Se der para ser feliz com isso, ótimo. Mas, muitas vezes, na maioria delas, sei que a felicidade será apenas um breve intervalo em meio ao oceano de desgraças.
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