Tenho certeza de que você nunca me ouviu. Nunca enxergou quem eu sou. Não faz ideia de quem eu sou. E não porque eu tenha fingido ser alguém que não sou. Não porque tivesse sido falso. Mas porque, para você, quem eu sou nunca importou.
O que penso, o que falo, o que escrevo… nada disso tem valor. O único valor esteve no que minhas mãos fizeram por você: o que eu dei, o socorro que prestei, o amparo que ofereci, o acolhimento que proporcionei. Mas minha essência, meus valores, aquilo que me constitui… nada disso foi ou é importante.
Você nunca me conheceu!
Demorei demais para perceber isso. E, quando percebi, a vida já tinha me amarrado a você. Agora, não consigo ir embora. Não porque eu não queira — na verdade, eu quero. Quero seguir minha vida, me afastar, esquecer sua existência. Mas não posso.
Os erros e escolhas que fiz me prenderam a você. E agora sou obrigado a lidar com a sua presença até o fim dos meus dias. Com alguém que não sabe quem eu sou, que nunca me ouviu ou enxergou. Que não conhece nada sobre mim.
E, ainda assim, escolheu se amarrar a mim.
E eu… já não tenho como escapar.
Carrego o fardo de ser responsável, para sorte de alguns, para meu azar.
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