Você já jogou frescobol? Frescobol é aquele esporte praticado normalmente na praia, onde duas pessoas, cada uma com uma raquete, geralmente de madeira, jogam uma bolinha, normalmente de borracha, uma para a outra. A ideia é que a bolinha não caia; quanto mais tempo ela permanecer no ar sem cair, mais bem-sucedidos os jogadores se sentem. O objetivo é fazer com que o outro tenha acesso à bolinha e a devolva de forma que ela seja mantida no ar, indo e voltando entre os participantes.
Curiosamente, um diálogo é a mesma coisa. Um diálogo acontece quando uma pessoa fala com a outra, e ambos são bem-sucedidos na missão de manter a “bola” no ar, ou seja, de sustentar o assunto. Um diálogo saudável funciona como o frescobol, onde as pessoas trocam ideias, argumentos, afirmações e pontos de vista, de maneira que os dois ganham.
No frescobol, assim como em um diálogo saudável, não há uma “cortada” para derrubar a bolinha, como acontece no vôlei ou no tênis. A ideia é manter a “bola” no ar de uma forma que, quanto mais tempo, mais produtivo, interessante e satisfatório seja o momento. Muitas vezes, as pessoas têm uma concepção errada sobre o que é diálogo, confundindo-o com um debate hostil, onde se precisa “vencer” o outro. Em um diálogo saudável, pode até haver um embate de ideias, mas não de pessoas; embates de ideias e de pessoas são coisas muito distintas.
Quando alguém coloca a “identidade” da outra pessoa no meio do diálogo para desmerecer um argumento ou afirmação, isso deixa de ser um diálogo. Esse comportamento é confrontativo de forma negativa, uma tentativa de diminuir o valor do que a outra pessoa diz atacando sua pessoa. Isso não é diálogo.
Quantas vezes você está disposto a iniciar uma conversa sem saber como ela vai terminar? Quantas vezes está disposto a começar um diálogo sem a necessidade de “sair vencedor”?
Um bom diálogo não tem um vencedor. Ele é celebrado quando ambas as partes saem melhores do que estavam no início da conversa.
O sentimento mais satisfatório de um diálogo é não saber como ele vai terminar, mas ter a convicção de que todos sairão melhores ao final dele.
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