Mais uma vez, me pego pensando sobre as coisas da vida, sobre questões que surgem em conversas que tenho com outras pessoas e também sobre pensamentos que aparecem nos momentos mais aleatórios possíveis.

Hoje, me peguei pensando algo relacionado à solidão. Não falo daquela solitude “gourmetizada” ou romantizada que tanto se vê por aí. Falo da solidão pura e simples, daquele momento em que você se senta na cama, na cadeira da sala ou na varanda e não há ninguém ali.

Não há o colo que você queria, nem o cafuné que gostaria de receber, tampouco a conversa aleatória que tem vontade de ter. Não há a risada que você gostaria de ouvir, nem mesmo a sua. Faz algum tempo que moro só, mas faz muito mais tempo que vivi só, mesmo acompanhado de vez em quando.

Em algum momento, recente, decidi que não quero viver e nem me sentir sozinho, muito menos quando estou acompanhado. Não aceito mais a presença de quem não me traz para o presente. Não quero companhias que me façam desejar não estar onde estou, porque o tempo que passo sozinho é quase sempre um tempo supostamente produtivo, em que me ocupo e sou relativamente útil de alguma forma. E, quando decido compartilhar meu tempo com alguém, quero que seja um momento presente, em que eu não me sinta só.

Quero estar ali tão plenamente que seja inevitável estar inteiro com a pessoa, com a voz dela, com o olhar dela, com a presença dela — uma presença plena, de alguém que está onde realmente quer estar, com quem quer estar.

A grande graça da solidão — se é que ela tem alguma — é que, além de ser inevitável e algumas vezes necessária, ela faz com que você valorize mais os momentos em que ela, a solidão, se vai. Ela voltará, ela sempre volta, mas, até que ela volte, esse intervalo precisa valer ouro.

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