Um dia, decidi fazer uma jornada meio louca e estranha. Parti, do que chamarei de Ponto de Partida, e nessa jornada eu passaria por diversos pontos até chegar a algum destino. Parti com uma mochila nas costas, repleta de recursos. À pé e com muitos quilômetros a percorrer.

Como previsto, calculei mal. A mochila era grande demais, pesada demais, e, no meio da jornada, quando já estava longe do Ponto de Partida, decidi revisá-la. Foi doloroso me dar conta de que teria que abrir mão de algumas coisas, que já não eram essenciais, para eu chegar ao meu destino. Para continuar a jornada sem sofrimento, de forma saudável e proveitosa, precisei, a cada momento oportuno, quando havia exaustão e o peso me abatia, revisar a mochila, me desfazer de algumas coisas pesadas e que já não agregavam àquela jornada (que deveria ser agradável).

Você já entendeu que essa situação serve como uma analogia para a vida, especialmente nos relacionamentos afetivos. Quantas vezes iniciamos uma jornada de relacionamento e, em determinado ponto, percebemos que a relação se tornou mais um fardo do que algo proveitoso? Por mais que queiramos manter a relação e o vínculo, não queremos o fardo que vem junto. Muitas vezes, esse fardo não é causado de propósito; o outro apenas está sendo ele mesmo. Mas, com o decorrer da jornada, as afinidades mudaram, os interesses mudaram, as pessoas mudam, os projetos mudam.

Aquilo que antes parecia divertido e proveitoso, que agregou em determinado momento, agora pesa. Os passos se tornam pesados, acordar é chato, chegar em casa é cansativo. Às vezes, prolongamos o tempo fora, fazemos hora extra, trocamos de emprego para trabalhar no horário em que o outro está em casa, porque ir para casa já não é um lar, já não é o nosso paraíso, nosso porto seguro.

A saída plausível se torna terminar aquele ciclo, encerrar aquela relação, é mais saudável para ambos do que permanecer nela. É doloroso, incômodo, mas necessário para que ambos possam seguir cada um em sua jornada de forma proveitosa, leve, divertida, sem este desnecessário sofrimento, agonia e angústia.

Entender isso, sem estabelecer culpados, é essencial. Responsáveis, sim, culpados, não.

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