Não é de hoje que me vejo em conversas que tratam da questão dos aplicativos de relacionamento. Esse tema é recorrente, mas a discussão sobre esses aplicativos e o tom pejorativo com que são chamados de “cardápio humano” me chama a atenção. Quando as pessoas fazem essa afirmação, normalmente querem dizer que conhecer alguém por meio dessas ferramentas, como o Tinder, é algo inferior, mais superficial ou frívolo. Acho curioso, pois nunca percebi uma diferença prática entre conhecer alguém por um aplicativo ou em uma balada, show, churrasco de faculdade ou qualquer evento social, onde muitas pessoas estão disponíveis e interessadas em flertar.
Se você está, por exemplo, em um pub, as pessoas estão ali por diversas razões, e algumas delas estão disponíveis para paquerar, serem abordadas e vistas. Elas se observam mutuamente, são estimuladas visualmente e, a partir disso, decidem se dão ou não a oportunidade de serem abordadas, para descobrir se há outras afinidades e interesses em comum, que podem, em um segundo momento, se aprofundar.
Então, qual a diferença disso para um aplicativo? Nunca consegui entender. Na verdade, o aplicativo é apenas uma ferramenta. Algumas pessoas preferem se arrumar, se preparar psicologicamente e toda a logística para ir a um evento, para viver essa experiência de forma plena e disponível. Outras vão com o mesmo propósito de paquerar, mesmo que algumas digam que estão lá apenas para ver amigos ou para socializar. O que estou discutindo aqui são aquelas pessoas que saem de casa dispostas e disponíveis para interações sociais e, eventualmente, flertes.
Essas pessoas que estão dispostas a serem abordadas em eventos sociais são as mesmas que estão no Tinder. A diferença é que o Tinder e outros aplicativos de relacionamento são apenas ferramentas. Para alguns, a ferramenta é a balada, o show sertanejo, o forró. Para outros, é participar de um grupo de afinidade, viajar em grupo, fazer caminhadas ou andar de patins. Não importa o contexto, o que conta é que todos esses são meios de interação social, e o que faz a diferença é a disponibilidade e o interesse. O primeiro contato é visual, tanto em eventos quanto nos aplicativos.
Os aplicativos ainda oferecem algumas vantagens. Se a pessoa preenche o perfil com informações sinceras, já há um filtro que poupa tempo, algo que numa balada pode demorar 20 minutos de conversa para se descobrir. Com um perfil bem feito, o aplicativo já economiza esse tempo, o que é vantajoso para todos, desde que haja interesse e disponibilidade. Não entendo por que algumas pessoas tratam o uso desses aplicativos de forma tão pejorativa.
Na prática, esses aplicativos são apenas uma ferramenta, assim como qualquer outro meio de interação social. Fico me questionando sobre o que leva algumas pessoas a adotarem esse tom crítico. Eu conheço, no mínimo, uma dúzia de pessoas que vão a eventos sociais com o único objetivo de flertar, paquerar e, se tudo correr bem, dar uns beijos e, talvez, compartilhar momentos de intimidade física e prazerosa, quando há consentimento.
Enfim, esse é o meu questionamento. Gostaria de entender o motivo desse discurso pejorativo em relação aos aplicativos, se eles não são nada mais do que ferramentas que facilitam a vida de muitas pessoas. Pessoas como eu, por exemplo, que não têm tanta disposição para ir a eventos torcendo para encontrar alguém interessante, gastar meia hora conversando e, no final, perceber que não há afinidade, ou até mesmo que a pessoa nem estava tão disponível ou interessada. No aplicativo, você já corta boa parte desse caminho, o que é bom para todos os envolvidos.
Minha pergunta é essa: por que algumas pessoas tratam de forma tão pejorativa o uso de aplicativos para conhecer outras pessoas?
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